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sábado, 4 de agosto de 2007

-Bergman morre para lembrarmos que sua obra sobrevive.Não nas prateleiras dos filmes clássicos e nem das novas produções contemporâneas.Mas onde quer que esteja, ele é universal. A busca é eterna.


{{{Talvez o melhor comentário sobre Ingmar Bergman tenha partido de Jean-Luc Godard: "O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico". (Jean-Luc Godard, "Bergmanorama", Cahiers du cinéma, Julho - 1958). }}}

Se na época esse era o melhor comentário público sobre Bergman, creio que ele não precisava de grandes afirmações acerca do seu trabalho, seu combustível era a sua própria vontade de desvendar a alma humana {{{ ''Os demônios são inúmeros, aparecem nos momentos mais impróprios e geram pânico e terror". "Mas já aprendi que, se consigo controlar as forças negativas e atrelá-las a minha carruagem, elas podem trabalhar em meu benefício." }}}disse Bergmam em rara entrevista.




Eu, como estudante de fotografia, inicialmente fui conduzida as imagens puras de reflexão humana através do olhar, ou seja, me senti comovida sem precisar de legendas. Foi assim que comecei a me apaixonar por Persona (1966). Encantada estéticamente, esperava por mais, esperava a confirmação de diálogo que equiparasse as imagens. Fui conduzida a uma realidade que jamais pensei fosse reproduzida, o diálogo-monólogo entre as duas mulheres (lembrando que Liv Ullmann só diz uma frase durante o filme todo) e a vontade de compreensão e amor. Cada uma se descobre uma na outra através de suas vidas e a auto-analise transcede para a convicção de suas próprias importâncias e necessidades individualmente. O filme acaba quando elas Dr.Alma (Bibi Andersson a inspirar sentimentos genuínos e reflexão através da sua atuação única no cinema) e sua paciente a atriz Elisabeth Vogler (considerada a maior atriz de todos os tempos e uma lenda viva) conseguem se situar nelas mesmas pós-tormento de suas vidas.


Pode-se considerar uma pequena sinopse, prévia ou homenagem ao melhor filme já feito no mundo, sendo que essa opinião não é somente minha. Ainda sim, há outros ótimos filmes como Gritos e Sussuros, O Silêncio, Morangos Silvestres e outros não menos importântes que eu ainda não ví, mas tenho toda convicção na minha existência que essa é a melhor obra do cinema mundial, por isso Bergman não poderia escapar a minhas euforias um tanto atrasadas já que ele morreu na semana passada do dia 30.

{{{ Um dos maiores cineastas do século 20, Bergman, 89 anos, dirigiu mais de 40 filmes. 'Morangos Silvestres', 'Cenas de um casamento' e 'O sétimo selo' estão entre seus longas.}}}

{{{http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL80350-7086,00.html [Comentário de Heitor Dhalia (diretor de Nina e Cheiro do Ralo) sobre a morte de Bergman].}}}

Bergman sempre viveu uma vida isolada do que acontecia lá fora e só saia para filmar.Penso que a sua genialidade e sensibilidade vem da alma e não das buscas externas.Talvez ele já tinha demasiado, e não precisava de mais nada. Sua unica saída era colocar pra fora o que carregava dentro de si, e vendo suas obras percebo que a pretenção intelectual passava longe, e é algo que falta na maioria dos grandes ditos intelectuais. Seu cinema tratava-se de algo grande, um força que o guiava através da existência a fazê-lo sem pensar na ignorância que o cercava deveria ser seu maior desafio a parte.


Hoje em dia, sem falar na produção hollywoodiana que é um caso lamentável e necessário, o mundo Cannes e toda a produção alternativa vem surgindo em enorme demanda tamanha necessidade de explorar o mesmo mas com um olhar diferente. Reparo que nenhum desses novos diretores tenham se servido do verdadeiro Cinema. A questão óbvia dos amores, casos e vícios da alma são os mesmos de sempre, ainda com pontos a frente quando não cai na banalidade intelectual. Hoje em dia é preciso ter propriedade dos antigos mestres, é uma questão de sobrevivência agarrar-se a eles sob os títulos para não se perder do bonde rumo a Luz, só que a maioria das pessoas nunca degustaram verdadeiramente a ponto de serem realmente influênciadas na VIDA em si. Eis a questão da arte. O que é arte? Senão o combustível da vida? O que os filmes podem fazer pela vida das pessoas?

Não haverá novos mestres no cinema enquanto estes não superarem os clássicos. Lanço o desafio da superação de Persona de 1966. É possível atingir luz maior? Ou ainda as pessoas precisam aprender a serem humildes e assistir os filmes e a vida com os olhos da alma.

Filmografia completa, e breve biografia : http://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman

Filmografia completa em TORRENT para baixar: bergmanbits.com (um presente - presentaço aos leitores e cinéfilos)


-Morreu também, no mesmo dia o cineasta Michelângelo Antonioni do filme 'Blow Up' de 1966. -